Bia e Bidu, Gatinhos Deficientes

Esta história foi escrita por Clarice Lima e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

Bia e BiduEsses dois gatinhos são filhos de uma gata que apareceu há muito tempo na casa da vizinha, só que ela não deixava ninguém pegá-la, era selvagem.

Adotei ela, comecei a dar ração mas ela não se achegava, ela teve três gatinhos, um deles morreu e os outros dois sobreviveram, Bia e Bidu. Ela trocou eles do local, voltaram após 40 dias, doentes, não andavam em linha reta, somente giravam em torno deles mesmos, a cabecinha só tremia, caíam e tinham dificuldade ao comerem a ração, comecei a dar arroz, não conseguiam usar a caixinha de areia, pois com o desequilíbrio deles caiam e se sujavam tudo, hoje eles fazem as necessidades somente em cima de jornal, onde é bem firme.

O veterinário meu conhecido falou que poderia ser veneno, são cegos e surdos, pediu para esperar por dois meses, esperei e nada de melhorarem. Levei eles na Universidade, pois precisavam de um neurologista, lá na Universidade aconteceu o pior, ficaram internados para avaliação, foi feita por vários veterinários da universidade, o resultado foi que são praticamente cegos, surdos com hipoplasia cerebelar e que com o tempo eles iriam desaprender a andar e comer, na própria universidade sugeriram a eutanásia, pois seria só sofrimento para todos.

A visão deles é muito, mas muito pequena, é quase nada, não é nem vulto. Lá começou meu martírio, perguntei para vários outros veterinários e todos eram unânimes em eutanasiar, até marquei com o veterinário aqui perto o dia e hora, mas não tive coragem. O meu veterinário que conheço há muitos anos, falou que não deveria eutanasiar , deveria deixar eles viverem até o desenvolvimento total do cérebro.

Foi o que aconteceu, eles começaram a ronronar somente com cinco meses, mas daí começou outro martírio: a castração. Sendo necessária, o veterinário me passou que seria uma cirurgia de alto risco, pois a anestesia influi diretamente no sistema nervoso e ele não sabia se eles iriam voltar piores.

Ficaram internados e a cirurgia foi um sucesso.

Hoje eles brincam, correm, caçam insetos, claro do jeito deles, andam por todo o quintal, são gatinhos muito felizes, juntamente com a mãezinha e um irmão mais velho, agora todos castrados.

Eles são especiais, não pulam muros nem cercas, tenho que fechá-los à noite, não entendem o nome deles, mas eles me conhecem somente pelo cheiro, então eu falo com eles e eles vêm correndo, não pela audição, mas pelo cheiro. Ronronam muito e também miam, não sabemos como, estão agora com um ano três meses, mas só me dão alegrias, minha alegria de todos os dias e que eles mostraram como superar as deficiências.


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