Mozart

Esta história foi escrita por Nádia Batista e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

Histórias com animais são mais que muitas – tendo em conta que em 21 anos de vida, 21 anos deles foram passados com animais. Sempre! Cheguei a considerar não participar pois não sei que história havia de contar… se a mais recente em que sem pensar corri para o meio da rua para um carro não atropelar um cãozinho, quase sendo eu a atropelada, se a mais antiga com o meu cão Gordine, o primeiro cão que tive, e o primeiro desgosto da minha vida.

No entanto… A história que vos vou contar aconteceu em 2009, e ainda hoje me faz chorar sempre que penso nela.

Na altura estava a partilhar casa com uma rapariga, a Cristina. Lá em casa havia já duas moradoras, a Lucky (cadela que foi salva da rua) e a Farrusca (que veio da rua e tinha a mania que era lá de casa :) ). Eu estava sempre a avisar a Cristina que a Farrusca ia aparecer grávida e… apareceu. Esperei ansiosamente pelo nascimento dos bebés, li imenso sobre o assunto e já tinha decidido que um deles ia ficar comigo.

Até que no dia 7 de Abril, por volta das 9h da manhã, fui acordada à pressa a dizer que a Farrusca estava a parir. Voei para a sala, já tinha uma caixinha preparada com um cobertor para ela e para os pequenos, e a Cristina pelo sim pelo não esterilizou uma tesoura.

Quando vi a patinha a sair da Farrusca, fiquei pasma…. nunca tinha visto nada tão bonito. Então nasceu o Mozart, depois o Fru, seguido do Loki, do Thor (hoje em dia Pulga) e do Edy. A tesoura ainda serviu para cortar o cordão umbilical do Edy, porque a Farrusca só queria estar à beira dos recém-nascidos e não fez nada ao Edy. Mas ele hoje está bem :)

Andei contente durante cerca de uma semana, e o Loki já tinha decidido que ficaria comigo; escolhi um logo à nascença antes de me apegar a todos, pois sabia que iam ser dados. Até que a minha mãe foi lá a casa ver os bebés e me avisou que tinha de cuidar do amarelinho sozinha porque senão ele ia morrer. Eu já me tinha apercebido que ele era mais pequenino que os outros, e que não mamava com tanta frequência, mas nunca pensei que fosse tão grave, era a minha primeira experiência com gatos bebés.

Na altura estava desempregada e a minha mãe comprou leite em pó para eu o alimentar, e durante precisamente uma semana, fui mãe… De 3 em 3 horas dava-lhe biberão, independentemente de onde estava ou o que estava a fazer. Estava sempre com ele ao meu lado.

Passada uma semana a minha mãe foi lá a casa ver a progressão do pequenino, e eu sabia que a minha mãe queria ficar com ele, apesar de já ter (na altura) 4 gatos em casa. Mas eu ia lutar por ele, já lhe tinha posto o nome de Mozart, dormia com ele todos os dias, estava sempre com ele, enrolado em tecidos para não ter frio… Quando lhe dava o biberão morria para o mundo, ficava apenas com ele naquele momento… preocupava-me cada vez que ele se engasgava, e derretia-me de cada vez que ele, quando não queria mais leite, rastejava pelo meu peito e enroscava-se debaixo do meu pescoço… Quando a minha mãe chegou lá a casa, disse-me para eu rezar para que o bichinho chegasse vivo ao dia seguinte, a minha mãe ia levá-lo ao veterinário dos meus gatos para se tratar. Despedi-me a muito custo pois podia ser a última vez que estava com ele.

No dia seguinte, acordei com um telefonema da minha irmã a dizer que ele tinha morrido… Foi o pior dia da minha vida. Chorei literalmente o dia todo. Fiquei o tempo todo na cama, agarrada ao roupão que vestia para ele não me sujar quando lhe dava leite, tinha o cheiro dele e eu sentia-me tão culpada, de não ter feito mais… Ainda hoje me sinto…

Nessa tarde a minha irmã trouxe-me o gatinho para o enterrar, ela não me queria deixar vê-lo mas eu tinha de o fazer, tinha de ver para me acreditar… As patinhas dele ainda estavam moles e eu só me queria agarrar a ele a chorar e acreditar que as patinhas ainda estavam moles, ele ainda estava vivo……. Mas claro que não.

A minha mãe e a minha irmã também choraram, pois são pessoas adoradoras de gatos e aquele pequenino por pouquíssimo tempo que passou comigo e com elas conquistou-nos de tal forma.

A minha mãe disse-me que na manhã que ele morreu ela tinha ido tomar banho e ouviu-o a miar e pensou que era bom sinal, pelo menos já tinha forças para miar… E depois disse para eu cuidar do Fru, não que ele estivesse em risco grave mas a seguir ao Mozart era o gatinho mais fraco.

Resultado… Hoje em dia tenho em minha casa o Loki e o Fru, e eles significam tanto para mim. Sinto saudades do Mozart, todos os dias, mas cada vez que penso nele penso que tudo acontece por um motivo… e o Fru faz-me tão feliz. Ainda por causa do Mozart, salvei um gatinho da rua, o Bam, pois quando o vi lembrei-me do Mozart (se bem que fisicamente não têm nada a ver) e foi a minha oportunidade de tentar redimir-me… ao salvar o Bam.

Hoje o Loki e o Fru têm dois aninhos e o Bam, segundo a veterinária, deve ter sensivelmente a mesma idade. São a minha alegria e a minha companhia! O Edy está com a minha mãe, e o Thor com uma amiga da minha irmã,

Quanto ao Mozart, nunca na vida me vou esquecer dele.

A fotografia é do Mozart na sua toalhinha depois de beber leite :)

Mozart


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