Os Últimos Momentos

Esta história foi escrita por Vanda Gomes e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

Tive uma cadelinha Spaniel Tibete durante 20 anos.

A Boneca (Neca para os amigos) fez parte de uma grande parte da minha vida e da minha irmã. Era realmente um membro da nossa família. Testemunhou o nosso crescimento, viveu muitos momentos connosco. Mas os anos foram passado e a Neca envelheceu. Foi perdendo mobilidade, deixou de subir para cima do sofá ou das camas sem ajuda, cegou, mas conhecia a casa como ninguém…

Com o passar dos anos, fomo-nos mentalizando para inevitável. Só pedia a Deus para que quando esse momento chegasse, a Neca apenas adormecesse. O meu grande pavor era ter de tomar a decisão

Num fim de semana de Agosto 2009, o seu estado deteriorou-se e a Neca entrou nos momentos finais. Penso que entrou num estado de insanidade. Se pudesse haver uma forma de provar, quase que dizia que alucinou. Chorava constantemente, mas eu sei que não era de dor física, era de desconforto pela velhice que se prolongava por demasiado tempo. Passamos duas noites sem dormir, mas sempre que olhava para ela ainda lhe via aquele brilho nos olhos… O brilho de quem quer viver.

Mas na 3ª noite, foi o principio do fim. O que me lembro dessa noite foi de, a certa altura, puxar um cobertor para o chão e deitar-me a seu lado. Coloquei a minha mão em cima do lombo. Só assim a Neca acalmou e conseguiu descansar ao fim de três noites em dormir. Sempre que tirava a mão ela gania… Pois, fiquei ali deitada o resto a noite a ouvir a sua respiração ofegante e pensei que estava na altura. Tinha que a deixar partir…

Tinha que deixar descansar a minha menina. Ela merecia. Tinha sido uma cadelinha exemplar, companheira de todas as horas. Levantei-me na manhã seguinte decidida com o que tinha de fazer, sabia que era o acertado. Olhei-a, e desta vez o tal brilho tinha desaparecido dos olhos a minha Neca. Os seu grandes olhos negros, estavam sem vida. O coração continuava a bater, ela fazia uma esforço por respirar, mas já tinha morrido. Nessa tarde, levei a Neca ao veterinário e tomei a decisão. Estivemos (eu e a minha irmã) lá no momento em que a recebemos, ainda cachorrinha, e estivemos lá no momento em que morreu. Vimos a sua respiração parar lentamente e despedir-se de nós calmamente. Foi um momento de tranquilidade, pois sabíamos que estávamos a fazer o correcto, mas até hoje é uma lembrança muito querida.

Ainda a evocamos em muitas ocasiões… Porque nunca esquecemos dos seres que nos enchem o coração.


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