Pequena Atitude

Esta história foi escrita por Diogo Pinto e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

A minha história não será, certamente, a mais dramática ou comovente. Mas para mim, é gratificante ao ponto de a partilhar com esta maravilhosa comunidade na tentativa de entregar 50€ a uma das instituições que tanto lutam diariamente numa tentativa de ajudar todos os animais mal tratados pelas ruas de Portugal. Passo então a explicar.

Sou considerado um ‘morcego’ por trabalhar de noite. Numa noite de verão estava eu a trabalhar de madrugada na varanda do escritório quando ouço um cão chorar. Procuro imediatamente a fonte de todo o barulho, sem sucesso. Tudo o que encontro são gatos a dormir na rua. De novo, ouço o choro, a crescer com uma intensidade assustadora. Não demoro muito a descobrir que um pequeno cão (sem raça definida) está à minha porta desesperado por contacto humano.

Ao descer dou de caras com um cão indefeso, completamente submisso à minha presença. Não tardo em lhe oferecer alguns mimos. Notavam-se algumas marcas de luta com outros animais.

A minha consciência pesava-me só de imaginar em deixar o pequeno sozinho, pelo que tento apresenta-lo ao meu cão. Uma experiência terrível que acordou toda a vizinhança. Tinha chegado então a altura de ir procurar o dono dele. Andei cerca de 45 minutos pela minha cidade completamente sozinho, apenas com a companhia do pequeno cão, que me seguia sem qualquer ordem da minha parte. Às pessoas que encontrava perguntava se conhecia alguém que teria perdido o seu cão. Ninguém respondeu afirmativamente.

Já se tinham passado duas horas, eram 4:30h da madrugada e não tinha onde o colocar em segurança, longe de carros e outros animais. Já tinha navegado por diversos sites a procura de pistas. Nada.

Chega a altura de o colocar no carro, que só consegui conduzir com ele ao colo (ele recusava-se a andar de qualquer outra maneira). Pensei em o entregar a uma instituição, mas àquela hora parecia impossível. Dirijo-me à minha clínica veterinária favorita (onde levo os meus animais) e coloco-o dentro do pátio com a porta fechada. Ele chora e tenta saltar o muro, que não consegue.

Com a minha consciência pesada, fico mais 1h à espera que ele adormecesse. Dentro do carro só pensava no destino do pobre cão. Nessa hora, dentro do carro, preparo uma mensagem para o número de emergências da clínica onde explico a situação e me disponibilizo para aceitar quaisquer encargos financeiros.

Vou para casa e durmo algumas horas. Mal acordo dirijo-me à clínica onde me informam que o cão tinha dono e este tinha sido encontrado (vivia a cerca de 30km). Pedi para se certificarem que não tinha sido um caso de abandono. Despedi-me dele com um sorriso e tive algumas brincadeiras enquanto ele esperava pelo dono.

Voltei para casa e pensei a todos os momentos voltar atrás e ficar com ele. Mas hoje olho para trás e fico feliz com a minha atitude, pois espero que algum dia, se tal acontecer, alguém tenha a mesma atitude com o meu bicho.

Obrigado a todos pela disponibilidade e parabéns ao Mundo dos Animais pela iniciativa. Acho que todas as historias a serem apresentadas são vencedoras, pois o objectivo é comum!


Leia todas as histórias na edição especial da revista.

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