Um Salvamento Improvável

Esta história foi escrita por Pedro Santos e fez parte do concurso “O que já fizeste por um animal?” que terminou no dia 18/11/2011. Clique aqui para ver todas as histórias.

Há algum tempo, eu e um amigo, fomos de Leiria até à localidade de Portagem em Marvão para fazermos uns percursos de BTT naquela zona.

Não me esqueço do calor que se fazia sentir… 43 graus à sombra! Mas lá fomos, corajosos e cheios de vontade!

A certa altura, e quando percorríamos uma estrada secundária que ligava o centro da localidade de “Portagem” ao percurso que queríamos fazer, começámos a ouvir uns barulhos estranhos… Parámos e começámos a procurar. Passou-se algum tempo e, quando estávamos quase a desistir das buscas, avistámos bem abaixo de nós, numa estação de tratamento de águas, “algo” que não conseguíamos identificar a agitar um dos poços de tratamento. Chegámo-nos um pouco mais e começámos a ouvir um latido aflitivo! “Será uma cão?” disse na altura ao meu colega. Incrédulos, descemos por um atalho que nos levou rapidamente até à ETAR.

Assim que lá chegámos deparámo-nos com um problema! Havia um portão fechado com todo o tipo de “cartazes” afixados a inibir quem quer que fosse de tentar passar lá para dentro. E era mesmo muito alto! Ainda hoje não percebo como é que conseguimos trepar e saltar aquilo!

Mas a verdade é que no meio de tanta adrenalina e vontade de resgatar aquele ser, conseguimos saltar o portão e correr até ao cão! Mal lá chegámos percebemos que iria ser muito difícil, pois a cadelita (confirmámos depois ser uma fêmea) estava enterrada até ao pescoço numa espécie de lama verde de limos e sei lá mais o quê…

Tentámos de tudo para a tirar de lá. Com um pau (tentando empurrá-la), com uma espécie de rede que lá estava… nem sei…

Estávamos a desesperar porque com o passar do tempo a cadelinha estava a ficar cada vez mais fraca, até que de repente ela deixou-se ir e desapareceu por entre aquela lama toda! Nesse preciso momento lembro-me de pensar “tenho de a tirar de lá!” E foi o que fizemos. Sem combinarmos nada, mandei os meus braços e o tronco literalmente lá para dentro e o meu colega, apercebendo-se, agarrou-me pelos calções! Foi um momento muitíssimo intenso, confesso. Entretanto senti-a, e assim que lhe toquei puxei-a e empurrei-a daquele poço para fora!

Tirámos-lhe o que conseguimos daquela lama espessa e verde e afastámo-nos um pouco para ela poder recompor-se. Passado alguns minutos a energia dela já era outra, e mesmo antes de se ir embora, olhou para trás de uma forma que jamais me esquecerei: Lançou-nos um olhar olhar terno e cheio de agradecimento.

Foi com se nos estivesse a agradecer por a termos tirado de uma morte certa…

Foi, sem dúvida alguma, um dos momentos mais espantosos e cheios de significado que já vivi!

Depois disto, seguiu a sua vida sacudindo-se e esgueirando-se por um pequeno buraco, que calculamos ser o mesmo por onde entrou.

No fim de toda aquela azáfama, lá voltámos nós às nossas bicicletas e prosseguimos o nosso caminho.

Ainda hoje recordamos esta história com carinho e uma lágrima no canto do olho e pensamos o incrível que foi conseguirmos salvar aquela cadela…


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